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sábado, 17 de outubro de 2009

Fw: ODE AOS "PORCOS SLVAGENS" ( Gen Azevedo )

 
 

Ode aos "Porcos Selvagens"

Circulam, amiúde na internet, os ensinamentos de como apanhar "porcos selvagens". É o tal de ver onde os nervosos mamíferos seguem para se alimentar, e colocar - se uma cerquinha aqui, outra acolá, sempre deixando aberto o caminho usual. Assim, de cerca em cerca, mas mantendo umas migalhas para atrair os raivosos e desconfiados suínos ao ponto inicial, até que é instalada a cerquinha final. Como a porcalhada já esta acostumada com a perda imperceptível de sua liberdade, acomoda – se como pode no seu novo curral.

No Brasil das ovelhas, os minoritários porcos selvagens fazem parte da história. O último foi visto de relance no primeiro decênio do século 20.

Os especuladores dizem que os indigestos bichos, temidos pelo seu desusado apego à liberdade, foram mortos de inanição. Ao que parece, a mítica fera alimentava - se de moral, de ética, de honestidade, de honradez, de dignidade, de cidadania, suprimentos que foram minguando até o seu desaparecimento total.

Ao que tudo indica, contrariando Darwin, não houve aqui evolução da espécie. Por outro lado, um punhado de alentados pesquisadores, defende a tese de que houve sim, uma involução, visto que os selvagens porcos, fruto de inúmeros cruzamentos genéticos com a demagogia, com a falta de vergonha, com a corrupção, com a impunidade, com o jeitinho brasileiro, gestaram um ser amorfo, inerme, um parasita, um ser disforme, sem opinião, sem raça e sem vontade, algo entre uma plácida ovelha e uma escrota hiena. O novo espécime come M... mas vive dando gargalhadas. Dócil, vive à solta e pode ser encontrado sem esforço.

Assim, para os saudosistas, os porcos selvagens foram inexoravelmente extintos das plagas nacionais. Por isso, desnecessário continuarmos difundindo a lição de como prender aqueles históricos animais. Por ora, não basta relembrarmos que eles existiram, e hoje suas ossadas são encontradas nos museus arqueológicos. É peremptório recordar que, um dia, os porcos selvagens representaram a indignação dos justos e o grito de liberdade.

Ao lembrarmos os bons tempos, quando os porcos selvagens representavam a capacidade de reagir a qualquer tentativa de tolher a sua liberdade, de dominar seus sonhos e anseios, e que reagiam a qualquer custo diante da possibilidade de serem postos em cativeiro, é natural que lamentemos o seu triste desaparecimento.

Oxalá, de alguma brenha surja um bando de porcos selvagens, e não um bando de ovelhas. Que apareçam porcos esclarecidos, atentos, animais ariscos que não se iludem quando tolhem sua liberdade com cercas douradas, com muros pintados com falsas ilusões, e fujam, ou melhor, que avancem, destemidamente, contra os obstáculos à sua frente, pois elas são frágeis, e, certamente, cairão sob o esforço conjunto de uma vara de porcos selvagens determinados.

Urge o renascimento da indignação que ruboriza, da cólera que assoma ao peito, da revolta que confrange a alma, do amor – próprio ofendido, do destemor que nunca morreu e da determinação de deixar de ser um eterno tolo.

É importante, que surjam logo, e espertos, pois além dos vistosos muros que poderão apresá - los, consta que estão sendo preparados contingentes de desocupados, intitulados sem - eira nem beira, que adestram – se em destruir laranjais, os quais, em breve, estarão aptos a auxiliar na caça aos porcos selvagens que tiverem a coragem de grunhir.

 

Brasília, DF, 17 de outubro de 2009

Gen. Bda Refo Valmir Fonseca Azevedo Pereira


 
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